Mês: janeiro 2021

Para os vasinhos nas pernas, o tratamento é indispensável porque, embora não tenha os sintomas mais intensos de varizes já formadas, também refletem problemas no sistema venoso. Em geral, o percentual de pessoas que têm varizes e vasinhos nas pernas é altíssimo, chega a atingir 37,5% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Porém, se o filtro for apenas para a população feminina, esse percentual sobe para 45%. Qual o melhor tratamento para vasinhos nas pernas? Antes de responder a essa pergunta, vamos entender melhor o que são os vasinhos ou telangiectasias, que é o nome técnico desse problema venoso. Os vasinhos são estruturas venosas dilatadas e finas de até 1mm de diâmetro, ramificadas e que costumam ter uma coloração azulada ou avermelhada. São o resultado de um regime de hipertensão venosa na região, causada por refluxo venoso proveniente de uma vênula ou veia varicosa. Esses vasinhos que ficam mais à superfície da pele podem antecipar o surgimento de varizes ou aparecer ao mesmo tempo que elas. Causam formigamento, sensação de cansaço, queimação e dores. O melhor tratamento para vasinhos nas pernas será aquele que atende os desejos dos pacientes e suas condições clínicas, associado a um planejamento adequado do caso. Para isso, o cirurgião vascular irá realizar uma história clínica e exame físico detalhados, valendo-se de instrumentos auxiliares como o fleboscópio e aparelho de realidade aumentada para fazer um mapeamento das veias doentes e vasinhos. O eco-doppler venoso de membros inferiores também se faz necessário para investigar a circulação venosa profunda, veias safenas e perfurantes. É de fundamental importância salientar que os vasinhos, em geral, são somente uma parte do problema, pois na maioria dos casos, estão associados às microvarizes e varizes. Portanto, o tratamento dos vasinhos passa, necessariamente, por uma avaliação e tratamento de microvarizes ou varizes associadas. Em geral, as escleroterapias são as formas de tratamento indicadas para quem sofre com o problema de vasinhos. Para os vasinhos nas pernas, o tratamento pode ser escleroterapia química, com glicose hipertônica ou espuma, ou laser transdérmico. Todos são métodos minimamente invasivos e realizados em consultório, sendo muitas vezes necessário a associação dessas várias técnicas para atingir o resultado esperado. O pós-tratamento não exige repousos, mas é preciso observar alguns cuidados para que o paciente consiga o resultado desejado. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada procedimento: Escleroterapia líquida A escleroterapia líquida está entre os procedimentos mais realizados pelos médicos vasculares para o tratamento de vasinhos nos membros inferiores. Esse procedimento consiste na aplicação de uma substância que vai promover a oclusão dos vasinhos através de uma inflamação, que se inicia logo após a injeção e leva algumas semanas para atingir seu efeito completo. Nestes casos, podem ser usadas glicose hipertônica, polidocanol (em sua forma líquida), etanolamina, entre outros. Vasinhos nas pernas: tratamento com laser O tratamento a laser para vasinhos nas pernas também é conhecido por laser transdérmico. Atua nas microvarizes, que são veias nutridoras, responsáveis por alimentar os vasinhos e também nos próprios vasinhos. Com a eliminação das veias nutridoras, é possível obter resultados muito mais duradouros. Ao contrário da escleroterapia com espuma ou química, que é contraindicada em algumas condições dos pacientes, o tratamento para vasinhos nas pernas a laser não costuma ter ressalvas. Além disso, pode ser uma solução para pessoas que não gostam de tratamentos que envolvam agulhas ou mesmo para aqueles que têm alergias a substâncias químicas. O tratamento com o laser transdérmico é realizado a partir de uma fonte de luz, que vai gerar um aumento térmico dentro dos vasos. Esse feito vai provocar o fechamento dos vasinhos. Para realizar o tratamento, o médico vascular vai utilizar mecanismos de resfriamento da pele, para proteção da pele e provocar uma sensação anestésica na região, proporcionando mais conforto ao paciente durante o tratamento. As sessões podem variar entre 30 minutos e 90 minutos. Neste procedimento, também são necessárias algumas sessões. Deve-se manter os cuidados típicos pós-tratamentos das escleroterapias, evitando exposição direta da região tratada ao sol, aplicação de hidratantes, cremes para eventuais hematomas e cremes de corticoides na área tratada. Não há necessidade de repouso após as sessões. Tratamento de vasinhos com espuma (escleroterapia com espuma) O tratamento de vasinhos nas pernas conhecido como escleroterapia com espuma, secagem de vasinhos ou aplicação de varizes com espuma, como é popularmente chamado, consiste na aplicação de uma substância esclerosante nos vasos doentes, o polidocanol. Quando misturado a um gás (gás carbônico ou ar ambiente), o polidocanol adquire um aspecto de espuma que será injetada nas veias. Essa consistência da substância é muito eficaz porque permite um maior contato da medicação com a parede interna do vaso. O médico vascular produz a espuma no momento que vai realizar a aplicação, então, é realizada a punção do vasinho e a substância é injetada. A espuma vai gerar uma contração da veia (vasoespasmo), que resulta em um processo inflamatório que vai provocar o fechamento do vasinho doente, que some do local onde estava visível. O tratamento de varizes com espuma será realizado em sessões e o médico vai definir os retornos regulares do paciente, de acordo com a quantidade de vasinhos nas pernas que deverão ser tratados. Porém, a resposta do paciente ao tratamento também vai definir o número de sessões necessárias. Em geral, a escleroterapia com espuma, no contexto de tratamento dos vasinhos, é reservada para casos mais resistentes, que não responderam inicialmente à escleroterapia líquida ou laser transdérmico. Na maioria dos casos, a escleroterapia com espuma é feita nas microvarizes (veias nutridoras), varizes e veias safenas. Vale lembrar que os pacientes poderão sentir um desconforto após alguns dias da sessão. Isso ocorre em função do processo inflamatório deflagrado nos vasinhos, mas esses sintomas podem ser aliviados com analgésicos e cremes específicos. Cuidados após o tratamento de vasinhos O tratamento de vasinhos nas pernas com as escleroterapias ou laser não necessita de repouso após os procedimentos, porém, é necessário que o paciente não descuide dessas indicações médicas: - Uso de meias elásticas logo após a realização do procedimento, exceto se realizou somente escleroterapia com laser transdérmico; - Logo após a sessão, também procure caminhar por 10 a 15 minutos para estimular a circulação sanguínea; - Não faça exercícios vigorosos logo após a sessão; - Evite viagens com duração maior que 4 horas na primeira semana do tratamento após a escleroterapia com espuma; - Evite exposição solar direta no local tratado. Há alguma contraindicação aos tratamentos? Especialmente no que se refere às escleroterapias químicas ou com espuma, algumas pessoas têm contraindicações para esses tratamentos: - Quem tem alergia à substância esclerosante; - Pessoas acamadas, que precisam ficar em imobilização prolongada; - Quem tem trombose venosa profunda aguda; - Quem tem embolia pulmonar aguda; - Quem está com infecção na área a ser tratada ou tem infecção sistêmica; - Forame oval patente sintomático (espuma). Ainda assim, vale ressaltar que pacientes que tiveram histórico antigo de trombose venosa ou outros que estão fazendo uso de medicações anticoagulantes não estão contraindicados a realizar o tratamento. Casos que requerem observação Embora não seja uma contraindicação, há casos em que o médico precisa observar com cuidado se o tratamento para vasinhos poderá ser prescrito. Em geral, devem evitar: - Grávidas; - Mulheres que estão amamentando; - Pessoas com históricos alérgicos importantes; - Pacientes em estados de hipercoagulabilidade (câncer ativo ou trombofilias); - Pessoas que tiverem sintomas neurológicos prévios à escleroterapia. Efeitos colaterais dos tratamentos para vasinhos nas pernas Efeitos colaterais podem surgir em algumas pessoas que passam pelo tratamento de vasinhos nas pernas. Todos devem ser comunicados ao médico vascular, que vai avaliar a melhor solução. São problemas tais como: - Inchaços e irritação da pele localmente; - Formação de bolhas no momento da aplicação; - Sensação de queimação no local: ocorre em seguida da injeção, mas tende a desaparecer algumas horas depois; - Surgimento de hematomas; - Surgimento de manchas escuras: podem surgir em qualquer tipo de escleroterapia. Felizmente, em 80% a 90% delas vai desaparecer espontaneamente em até 1 ano; - Trombose venosa profunda: esse risco é de 1-2% para pessoas que realizam escleroterapia com espuma, sem antecedentes prévios de tromboses. Porém, esse problema pode ocorrer em qualquer tipo de cirurgia. Os vasinhos nas pernas podem voltar? Muitos pacientes têm essa dúvida sobre a volta dos vasinhos nas pernas ou em qualquer outra parte do corpo após o tratamento. Os vasinhos tratados não irão voltar, porém, as pessoas que têm um componente genético que favorece o surgimento de vasinhos e varizes podem perceber que surgirão novos vasos, porque a doença genética pode comprometer, no futuro, as veias que ainda estão saudáveis no momento do tratamento. Os vasinhos, assim como as varizes, são problemas do sistema venoso do paciente, que deve ser tratado de forma geral também. Como dito anteriormente, os vasinhos são uma parte do problema - a "ponta do iceberg"-, e por isso faz-se necessário uma investigação do sistema venoso dos membros inferiores para definir um planejamento adequado do tratamento e atingir resultados mais eficazes e de longo prazo. Por isso, é fundamental que o paciente faça esses tratamentos com um médico vascular, que vai investigar as causas, tratá-las e seguir com a profilaxia (prevenção), para diminuir a probabilidade de veias saudáveis fiquem doentes no futuro. Entre as indicações do médico para profilaxia também está a manutenção de um estilo de vida saudável, com a prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada (sem excessos de gorduras, açúcares e sal) e também o aconselhamento da interrupção do hábito de fumar, entre outros.

Vasinhos nas pernas tem tratamento!

Para os vasinhos nas pernas, o tratamento é indispensável porque, embora não tenha os sintomas mais intensos de varizes já formadas, também refletem problemas no sistema venoso. Em geral, o percentual de pessoas que têm varizes e vasinhos nas pernas é altíssimo, chega a atingir 37,5% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia …

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A meia elástica compressiva é um das importantes formas de tratamento da insuficiência venosa crônica, que é uma doença que leva a vários desdobramentos, inclusive, é o motivo do surgimento das varizes. No Brasil, as varizes atingem 45% das mulheres e 30% dos homens, segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Por que usar a meia elástica? Antes de mais nada, vamos falar um pouco mais sobre o que são as varizes: veias superficiais anormais, dilatadas, tortuosas e alongadas, com diâmetros a partir de 4 mm, de coloração azulada, que podem estar no subcutâneo ou camadas mais profundas. Entre os tipos de varizes também podem ser incluídos os vasinhos e microvarizes, que têm dimensões menores, mas também são reflexos da insuficiência venosa. Essas características das varizes provocam uma alteração funcional da circulação venosa do organismo, com represamento de sangue na região afetada. Quem tem varizes costuma sentir pernas pesadas e tornozelos inchados no final do dia porque esse problema costuma acometer com mais incidência os membros inferiores. Porém, dores, cãibras, formigamento e queimação nas pernas também fazem parte dos desconfortos. Esses sintomas acontecem porque as válvulas das veias estão danificadas e, com isso, dificultam a subida do sangue pelas pernas em direção ao coração. A meia elástica para o tratamento de insuficiência venosa é um tipo de meia de compressão graduada para envolver o membro inferior, com níveis de compressão decrescentes no sentido do pé para o tornozelo, o que facilita a ordenha de líquido (venoso e linfático) do membro em direção ao coração. Esse acessório vai aumentar a pressão nos membros inferiores (tornozelos e pernas), comprimindo as veias superficiais e profundas, o que aumenta a velocidade de fluxo sanguíneo e estimula o retorno venoso, que precisa de um certo bombeamento provocado pela movimentação e a musculatura das pernas. Os benefícios do uso das meias elásticas compressivas são inúmeros , dentre eles: Redução de edemas; Melhora da microcirculação; Diminuição do volume de sangue no membro; Aumento da velocidade de fluxo venoso e linfático no membro; Redução dos refluxos de sangue; Melhora da drenagem linfática; Melhora da amplitude de movimento das articulações, principalmente nos pacientes com linfedema. A meia elástica de compressão vascular é indicada para ajudar a melhorar esses sintomas supracitados e também são essenciais para o restabelecimento depois de tratamentos de remoção de varizes. Quando é indicado o uso de meias elásticas A meia vascular elástica é indicada tanto para tratamento das varizes, no pós-cirúrgico de varizes ou de outro procedimento que vai envolver um tempo muito grande de imobilização de membros inferiores. Quando a pessoa já tem as varizes, a meia vascular não vai acabar com elas, porém, vai ajudar muito no alívio dos sintomas e proporcionar mais conforto. Para o pós-cirúrgico, as meias também vão ajudar a promover um melhor retorno venoso. Porém, também as meias de compressão também são muito indicadas para quem quer saber como evitar varizes, porque ajuda a prevenir os problemas circulatórios nas pernas. Mesmo quando a pessoa não tem varizes, se fica muito tempo em pé ou sentado, se está grávida ou vai passar por uma viagem longa na qual vai ficar muito tempo com as pernas paradas, o uso de meia vascular é bastante indicado porque permite uma aceleração do fluxo de sangue de volta ao coração e previne a trombose. Porém, em pacientes com casos de insuficiência cardíaca não controlada, alergias ao material das meias, presença de infecções na pele ou isquemia, o uso das meias precisa ser ainda mais criterioso e ter aprovação médica. Casos para uso da meia vascular Insuficiência venosa; Varizes; Pessoas com herança genética de varizes; Cirurgias de varizes; Histórico de trombose; Histórico de síndrome pós-trombótica; Gestação, devido aumento de peso e porque o volume de sangue circulando no corpo aumenta, gerando inchaços; Pessoas que ficam longos períodos na mesma posição; Idosos devido ao comprometimento da função venosa porque as válvulas das veias vão ficando flácidas. Edemas linfáticos. Tipos de meia elástica A compressão das meias elásticas é expressa em mmHg (milímetros de mercúrio) e a extensão delas pode ir até o joelho (¾), até o meio da coxa (⅞) ou meia calça. De acordo com as graduações de pressão, podem se dividir em: Leve compressão(15-20 mmHg): indicada para pacientes sem doença venosa ou linfática, com pernas cansadas, que permanecem muito tempo em pé ou sentados, como prevenção; Média compressão (20-30 mmHg): recomendada para pacientes com insuficiência venosa crônica, com inchaços, vasinhos e varizes; linfedemas leves; pós-operatórios de cirurgia de varizes, etc; Alta compressão (30-40 mmHg): costumam ser indicadas pelos médicos para os casos mais graves , como úlceras venosas, edemas linfáticos,trombose venosa profunda, síndrome pós-trombótica; Antitrombo (18-23 mmHg): indicada para profilaxia de trombose venosa profunda em procedimentos cirúrgicos. Prescrição médica Apesar dessas indicações gerais, apenas o médico vascular deve prescrever o uso das meias elásticas, porque vai avaliar o nível de comprometimento venoso do paciente para indicar a graduação e examinar os pulsos arteriais dos membros inferiores. Além disso, poderão ser necessários exames complementares como eco-Doppler arterial e venoso de membros inferiores. Quando os pacientes passam por cirurgias de varizes, o médico também fará a indicação dos modelos de meias para cirurgia vascular e da meia pós cirurgia vascular. A prescrição das meias elásticas deve contemplar três itens: Medida da circunferência do membro (tornozelo / panturrilha / coxa); Tamanho : até o joelho; até a coxa; meia calça; Nível de compressão: anti-trombo; leve; média; alta. É preciso ter as medidas corretas das pernas, antes de pedir um modelo, especialmente se for pela internet. Para isso, é importante medir as pernas antes de sair da cama pela manhã, para ter a medida exata do membro sem os inchaços. O seu médico vascular também irá avaliar as medidas no dia da consulta. Atualmente, já existem diversos tipos de materiais que aliviam o calor provocado pelas meias, além de diversos modelos e cores que facilitam o seu uso no dia-a-dia. Como usar a meia vascular? É importante que os pacientes coloquem as meias elásticas vasculares já no período da manhã, nos primeiros 30 minutos após levantar da cama, para evitar o inchaço do membro e dificultar a colocação da meia. Hoje em dia, existem calçadores de meia elástica que auxiliam muito na colocação das meias, principalmente nas áreas de maior dificuldade que são os calcanhares. Caso não esteja habituado a usar este tipo de meia, poderá usá-la durante a manhã na primeira semana e ir aumentando gradativamente o período ao longo dos dias seguintes. Como regra geral, não deve dormir com a meia elástica. Com o uso das meias, mesmo que esteja sentado, ou na posição vertical, que prejudica o fluxo do sangue também pela incidência da gravidade, as válvulas das veias vão funcionar com mais eficiência. Para as pessoas que fazem a cirurgia de varizes, o uso da meia deve ser orientado pelo seu médico vascular. Dica do médico vascular É importante lembrar que a prática de exercícios físicos são excelentes para melhorar a circulação sanguínea, portanto, é um bom método de prevenir os problemas de insuficiência venosa. Inclusive, vale lembrar que é mito o que muitas pessoas pensam sobre a musculação: essa atividade física não provoca varizes. Além disso, manter uma alimentação saudável também só contribui para a saúde. Então, invista em hábitos saudáveis!

Meia elástica: saiba a importância do uso para prevenção e tratamento

A meia elástica compressiva ou meia vascular é um das importantes formas de tratamento da insuficiência venosa crônica, que é uma doença que leva a vários desdobramentos, inclusive, é o motivo do surgimento das varizes. No Brasil, as varizes atingem 45% das mulheres e 30% dos homens, segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e …

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A insuficiência venosa tem vários estágios e a classificação de varizes vai funcionar para indicar o melhor tratamento de acordo com a gravidade do caso. Veja nesse post do que se trata essa classificação CEAP Varizes e as formas de tratar cada uma delas. Como entender a classificação de varizes? Um sistema venoso saudável se manifesta quando o sangue consegue retornar das pernas em direção ao coração. Quando as válvulas das veias dos membros inferiores estão saudáveis, será a contração da musculatura que fará o sangue ser empurrado para cima. Quando esse retorno fica prejudicado por mau funcionamento dessas válvulas, um conjunto de manifestações clínicas vai se apresentar causado por anormalidade do sistema venoso periférico. É o que se conhece como insuficiência venosa. Esse problema atinge mais frequentemente as mulheres, por diversas causas, inclusive as hereditárias e hormonais; e pessoas idosas por flacidez dos vasos. Porém, alguns fatores de risco também podem levar à insuficiência venosa nos mais jovens como obesidade, gravidez, passar longos períodos na mesma posição, sedentarismo, etc. Para indicar o estágio da insuficiência venosa, há uma classificação de varizes, que os médicos utilizam para optar pela melhor abordagem de tratamento. A classificação de CEAP Varizes, proposta e idealizada em um fórum americano de doenças venosas, tem a ver com a gravidade da insuficiência venosa. As letras da sigla significam: C (sinais clínicos), E (causa - etiologia), A (anatomia) e P (fisiopatologia). Essas classificações também têm a ver com os tipos de varizes. Quando os médicos apontam a CEAP de C1 a C6 estão abordando a classificação clínica. Conheça a classificação de varizes de membros inferiores: C1 traz incômodo estético Na classificação de varizes 1 estão os vasinhos, também conhecidos como telangiectasias e as veias reticulares (microvarizes). Os vasinhos têm diâmetro de até 1mm, lineares ou sinuosos, podem ser pequenos riscos ou até mesmo ter um formato de aranhas ou ramificações, que se apresentam com uma coloração avermelhada ou azulada e surgem na camada mais superficial da pele. Os vasinhos podem apresentar uma sintomatologia mais localizada como queimação, formigamento ou dor. Enquanto as veias reticulares são vasos dilatados, tortuosos e que se situam abaixo da pele. Têm dimensões entre 1mm e 4 mm, com uma calibre intermediário entre os vasinhos e as varizes. As microvarizes já terão sintomas mais intensos como dor, peso e cansaço nas pernas. Essas veias são classificadas mais como um incômodo estético e, portanto, os tratamentos são mais direcionados à estética, como a escleroterapia com glicose, escleroterapia com espuma ou laser transdérmico. C2 traz problemas funcionais e estéticos Essas veias varicosas de médio e grande calibre, são superficiais e anormais, dilatadas, tortuosas e alongadas, com diâmetros a partir de 4 mm, de coloração azulada, que podem estar no subcutâneo ou camadas mais profundas. Essas características provocam uma alteração funcional da circulação venosa do organismo, com represamento de sangue na região afetada. Neste estágio, a insuficiência pode ou não ter comprometido as veias safenas. Costumam provocar queimação ou ardências, dores, sensação de peso ou cansaço nas pernas; cãibras; coceira em torno das veias e inchaço nas pernas, em especial ao redor dos tornozelos. Quando têm essa classificação, o médico pode indicar uma remoção de varizes com microcirurgia, com incisões escalonadas, ou tratamentos como a escleroterapia com espuma. C3: inchaços são a característica deste estágio Nesta classificação, as varizes poderão ter grandes dimensões antes de apresentar maiores complicações, mas já há uma constatação de edemas (inchaços). Em estágios mais leves, os edemas podem estar limitados aos pés e tornozelos, já na fase moderada atinge até abaixo dos joelhos, mas em estágios mais avançados são sentidos na perna inteira até acima dos joelhos. Neste estágio, a cirurgia de varizes pode ser um pouco mais extensa, voltada para a solução das questões funcionais. C4: pele pode apresentar manchas e coceiras Muitas vezes, quando não tratado até a classificação C3, além dos desconfortos das varizes internas e externas já anteriormente citados, ocorre um agravamento da condição dos tecidos e a pele pode ficar muito seca, com manchas marrons (dermatite ocre) e surgir coceiras, provocadas por eczemas, que também leva à perda de pelos. No estágio C4 também podem se manifestar pequenas manchas brancas na pele, conhecida como atrofia branca, além de fibrose do tecido subcutâneo, que resulta em endurecimento da região afetada (lipodermatoesclerose) Esse é um estágio anterior à úlcera varicosa e o paciente já pode ter a insuficiência venosa há anos, sem o tratamento adequado. Nesta fase, mesmo quando tratada, a hiperpigmentação da pele tende a não desaparecer. Por isso, o tratamento até essa fase é primordial para evitar o surgimento das complicações que poderão ser graves. C5: nesta fase, há uma úlcera cicatrizada Normalmente, a pessoa que está na classificação de varizes C4 e não faz tratamento, pula para a classificação C6, que é quando surge a úlcera varicosa. Na classificação C5 estão as pessoas que têm úlceras varicosas já cicatrizadas. Então, o procedimento do médico vascular é realizar a prevenção da abertura de uma nova úlcera. C6 é preciso tratar a ferida aberta Esse é o estágio mais grave, onde nota-se a presença de uma úlcera varicosa aberta. Essa ferida pode persistir por muitos anos e assumir grandes dimensões se não tratada adequadamente. A úlcera varicosa, em geral, surge na parte interna do tornozelo, e vem associada a outros sinais de avançados de insuficiência venosa como dermatite ocre, lipodermatoesclerose e atrofia branca. Outras complicações sérias e possíveis dessa fase são as tromboflebites, as infecções, tromboses venosas profundas entre outras. O tratamento inicial pode envolver o uso de antibióticos, analgésicos potentes, desbridamentos cirúrgicos ou uso de enfaixamentos. A escleroterapia com espuma costuma ser uma boa opção de tratamento, caso haja indicação. Diagnóstico Para realizar o diagnóstico da classificação de varizes, o médico vascular vai buscar os sintomas da insuficiência venosa crônica com exame clínico, que consiste na exposição de membros inferiores, porém, poderá também estender essa observação ao abdômen e região íntima, onde também podem se manifestar as veias varicosas. O médico vai conferir a presença de varizes visíveis, inchaços, hiperpigmentação da pele, eczemas, atrofia branca e úlceras cicatrizadas ou abertas. No caso de inchaços, o médico poderá fazer a palpação da área, além de palpar também a tensão venosa, para acompanhar o trajeto para descartar ou constatar a presença de flebites, que são inflamações das veias. Para entender qual é o comprometimento da função venosa do paciente, o médico também poderá pedir um exame como o eco-Doppler venoso. Depois de definir a classificação de varizes, o médico vai prescrever o melhor tratamento. A doença venosa é progressiva, portanto, é importante não permitir que a classificação de varizes atinja graus acima de 3, que podem provocar diversas complicações muito sérias. Quanto antes o paciente buscar ajuda, mais rapidamente perceberá uma melhoria de sua qualidade de vida.

Classificação de varizes: entenda a gravidade de cada caso

A insuficiência venosa tem vários estágios e a classificação de varizes vai funcionar para indicar o melhor tratamento de acordo com a gravidade do caso. Veja nesse post do que se trata essa classificação CEAP Varizes e as formas de tratar cada uma delas. Como entender a classificação de varizes? Um sistema venoso saudável se …

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